segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Caminhando sozinho em Brasília


Eu poderia escrever esse texto para dizer o quanto a vida tem sido maravilhosa depois que mudei de cidade. O quão bom é respirar novos ares. Festas, shows, novos amigos, risos. Tudo isso tem sido realmente uma experiência incrível, mas nem só de lado positivo se vive uma mudança. Oito meses de Brasília. Mais distante dos meus pais, dos meus amigos, da minha terra natal, até da minha irmã que nem morava mais no Tocantins. Parece que nunca vou me acostumar com isso. Eu sou muito movido pela emoção, por momentos simples, porém de grandes significados.

Me mudei para a capital federal com o intuito de crescer e, meu Deus, como isso tem sido verdadeiro e dolorido. Não pude estar com minha melhor amiga em uma grande perda, não estive no casamento de uma outra melhor amiga, ainda não pude conhecer meu segundo sobrinho pessoalmente, não passei dia das mães nem dia dos pais com meus grandes exemplos de vida, não pude dar um último beijo na Vovó ainda viva, não vou poder estar na formatura de um irmão de vida. Nãos, perdas, ausências... é tudo tão injusto, e necessário.

Ao mesmo tempo em que tenho sofrido tanto por todo esse período de adaptação, que eu acho que vai durar para sempre, eu pude me redescobrir totalmente. Conheci um Rayan diferente do que costumava ser. Aprendi a caminhar sozinho, a ter consciência de que, em muitas vezes, eu serei minha única companhia. E que preciso saber me satisfazer, me fazer sentir bem comigo mesmo.

Aqui as pessoas não são tão frias como nós que viemos de fora achamos. Mas até descobrirmos isso demora um pouco. Precisamos estar preparados. O custo de vida é realmente muito alto e para receber um salário que dê para cobrir tudo é preciso multiplicar esforços e turnos. É tudo muito longe? Sim, é. Você vai perceber que a distância entre a Torre de TV e o Congresso é muito maior do que se consegue ver. 

Que a felicidade de conhecer alguém para um possível namoro cai por terra quando você vê que ele/ela mora em Vicente Pires e você mora no Plano Piloto. É quase um namoro à distância realness. É bem difícil. Estressante. Tem metrô, mas tem greve. Tem uma ampla programação cultural, mas ou é cara, ou é distante de onde você está. O pontão é um lugar lindíssimo, mas respirar lá custa cem reais. Brasília é linda, mas você é pobre.

Tem calor, tem frio, tem chuva. Tudo no mesmo dia. E estar no centro do furacão de todo o caos político que o país tem vivido? É pior que qualquer previsão do tempo conflituosa. Tem sido uma caminhada bastante estranha, viu? Mas, apesar de não parecer, sou bem grato por tudo que está acontecendo. Brasília é cheia de oportunidades. Ainda estou aprendendo a abraçá-las. Sei que tomei a decisão certa e que a tendência é dar mais certo a cada ano. Mas se não reclamasse não seria eu.

Por hora, é isso. Tchau!

Um comentário:

  1. Texto perfeito, irretocável, discorreu com maestria o sentimento de viver em terras estranhas, de viver desafios.Beijos.

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